Carlos Aldemir Farias nos conduz a julgarmos à relação entre o imaginário e a aprendizagem no contexto educacional. Pode-se dizer, mais precisamente, que em seu livro, Alfabetos da Alma: histórias da tradição na escola, ele encarna o espírito crítico, capaz de reconstruir o passado e ao mesmo tempo construir idealmente o futuro.
Desta forma, ele sustenta a tese da importância dos contos de fadas, fábulas e histórias da tradição como ferramenta pedagógica a ser utilizada em sala de aula. De um modo geral, o autor se utiliza de experiência própria e citações de autores como Edgar Morin, Joseph Campbel, Claude Lévi-Strauss, entre outros, para emitir suas conclusões.
Em seu discurso, Carlos polemiza acerca do uso da imaginação como ferramenta da educação, advertindo que para imaginar mais não é necessário afastar-se dos conteúdos da ciência. Com isso, nos incentiva a reagir aos padrões atuais da nossa educação, demonstrando que temos a capacidade de avaliar o que é certo, ou errado.
Fruto de rigorosa pesquisa bibliográfica e de campo, a obra destaca que a abundância de informações encontradas nestas narrativas permite a criança aprender, descobrir e inventar, cabendo ao professor a missão de desafiar, encorajar e provocar conflitos; porém, a sua maior dúvida gira em torno da possibilidade, ou não, de se estabelecer um diálogo entre o conhecimento científico e o saber da tradição.
Escrevendo de maneira clara e objetiva, o autor nos remete a um assunto muitas vezes deixado de lado, mas de fundamental importância: expandir a nossa capacidade de pensar. Os exemplos amplamente citados nos auxiliam na compreensão do seu raciocínio, a fim de chegarmos à nossa própria fundamentação.